BANANAL-SP

TURISMO

 

Bananal, como ir

Bananal fica no extremo leste do Estado de São Paulo, a 160 km do Rio de Janeiro e a 310 km de São Paulo. Se você quiser passar pelas demais cidades “do fundo do vale”, Areias e São José do Barreiro, saia da Via Dutra na altura de Queluz (a a última cidade paulista antes da divisa com o Estado do Rio de Janeiro). São apenas 70 km, mas dificilmente o trajeto é feito em menos de 1h30, pois a estrada, embora asfaltada, está em más condições em razão do constante tráfego de caminhões pesadíssimos das madeireiras que atuam na região. (Aliás, é notória a indignação dos moradores com a ação dessas companhias, que criam poucos empregos e prejudicam o transporte e o turismo). Outra opção é sair da Via Dutra em Barra Mansa (RJ) e seguir em direção a Bananal. O trecho em estrada vicinal é bem mais curto e o asfalto está melhor.

As “Cidades Mortas”

Quem chega a Bananal (Estado de São Paulo, próximo à divisa com o Estado do Rio de Janeiro) volta no tempo, entrando no mundo das “Cidades Mortas” evocadas por Monteiro Lobato, onde, nos tempos de glória, o Império ia buscar, junto aos barões do café, aval para seus polpudos empréstimos aos bancos ingleses.

O café se dera relativamente bem no Rio de Janeiro e era plantado na Baixada Fluminense utilizando técnicas agrícolas predatórias que esgotavam o solo. A constante necessidade de novas terras levou à subida do planalto, rumando para o sul, à procura de áreas virgens. Assim, as plantações que chegaram a Bananal (e também às suas vizinhas São José do Barreiro e Areias), durante algumas décadas, criaram muita riqueza. Quando as terras começaram a se esgotar, a fronteira agrícola foi avançando em direção ao interior paulista.

As fazenda cafeeiras

Bananal nasceu de uma capelinha erguida em 1783, mas consolidou-se como município em 1832. Durante o ciclo do café, tornou-se, por volta da metade do século XIX, a maior produtora brasileira do chamado “ouro negro”; a região era responsável por aproximadamente 50% de toda a produção nacional! A zona rural da cidade foi ocupada por fazendas com belíssimas “casas grandes”, decoradas por seus abastados proprietários com móveis franceses, tapeçarias belgas, pratarias, mármores, lustres de cristal e finas louças trazidas da Europa. A riqueza do café pagava tudo: Bananal chegou a cunhar sua própria moeda.

Com o dinheiro correndo solto, o centro da cidade encheu-se de lindos casarões de até três andares. Felizmente, para a sorte da memória histórica brasileira – e talvez por milagre – boa parte deles resistiu ao tempo. Construídos junto à rua, conservam, à moda da época, o branco nas paredes e cores fortes nas portas e janelas. As treliças nas janelas permitiam aos moradores observar a rua sem serem vistos pelos passantes. O curioso adorno em forma de abacaxi que se vê em suas fachadas simbolizava prosperidade.

A “Arquitetura do Café”

Diversos dos imóveis típicos da chamada “Arquitetura do Café”, do século XIX, ficam na Praça da Matriz (Praça Pedro Ramos), como a casa de dona Laurinha , o Hotel Brasil e a bela igreja matriz. Nessa praça existem ainda um chafariz e um antigo coreto, que reforçam o ar provinciano de Bananal.

Outras das construções dignas de nota são a Santa Casa, a mansão do Comendador Luciano José de Almeida e o antigo Teatro Santa Cecília (hoje ocupado pela Secretaria Municipal de Turismo), na Rua Manoel de Aguiar, onde outras fachadas da época áurea da cidade foram conservadas. Na Praça do Rosário fica o Solar Aguiar Vallim, lindo casarão onde o próspero Vallim recepcionava gente graúda da corte do Rio de Janeiro e ou personagens importantes que chegavam da Europa.

Seguindo pela rua ao lado da Igreja do Rosário, depois de passar pelo prédio da Prefeitura, chega-se a uma praça onde ainda existe uma antiga estação ferroviária pré-fabricada, toda de ferro, que foi trazida desmontada da Bélgica. Em frente a ela, ainda se pode ver uma das Marias-Fumaça que operavam na linha que ligava Barra Mansa a Bananal, cortando uma rica região agrícola que movimentava verdadeiras fortunas. Em Barra Mansa, os produtos desciam em lombo de burro para o Rio.

 

A antiga estrada de ferro

A história dessa estrada é interessante. Nascida da iniciativa conjunta dos fazendeiros, no final da década de 1870, demorou muito para ser construída e só foi inaugurada em 1888. Tarde demais! A região, cuja prosperidade durara apenas 50 anos, de 1836 até 1886, já estava em decadência quando a estrada foi concluída.

Os trilhos foram simplesmente desmontados e levados embora quando o governo Jânio Quadros mandou desativar ramais secundários, como era o caso do Ramal Bananalense, de 28km, que já no começo do século XX se tornara deficitário. Desativada em 1964, a estação foi tombada pelo Patrimônio Histórico em 1969. Por iniciativa dos habitantes, foi recuperada (felizmente sem muita dificuldade, já que o ferro belga galvanizado é muito resistente) e aproveitada pela Prefeitura como centro de informação turística.

É uma pena que essa linha, que hoje poderia ter grande importância na implantação de um “turismo ferroviário” (como o que existe entre São João del Rey e Tiradentes, em Minas Gerais), já não exista. Que delícia seria percorrer, em um trenzinho puxado por uma Maria Fumaça, as lindas paisagens entre Bananal e Barra Mansa!

Quem conhece “de fio a pavio” a história dessa estrada de ferro (e também da cidade) é Seu Plínio, um ícone de Bananal. Ele se lembra de quando a estrada Rio-São Paulo passava em frente à Pharmacia Popular, que pertence à sua família desde 1922. “ Bananal era outra coisa ”, diz ele. ” Depois fizeram a Dutra e a cidade parou do dia para a noite ”. Ele conta também sua luta, como prefeito de Bananal na época, para preservar a estação belga que, por pouco, não foi transformada em sucata. A farmácia de Seu Plínio é, aliás, uma das atrações de Bananal, muito curiosa e de grande valor histórico.



Farmácia Popular Fundada em 1830 por um farmacêutico francês, é a mais antiga do Brasil em funcionamento, cuidadosamente preservada, com piso de mosaicos franceses, balcões em pinho de riga, antigos frascos, caixa registradora do tempo do onça, balanças de precisão e outros aparelhos utilizados na preparação de remédios, móveis e compêndios de medicina, a maior parte em francês. Ela pode ser visitada por dentro, e o próprio Seu Plínio serve como guia. A módica contribuição solicitada é revertida nas despesas de conservação desse verdadeiro museu que, lamentavelmente, não conta com patrocínio nem apoio do governo. Visite antes que acabe!
Nas redondezas de Bananal, pode ser visitada a Fazenda Resgate, uma das maiores do ciclo do café. Era onde o imperador D. Pedro II se hospedava quando visitava a região.

Seu proprietário Manoel de Aguiar Vallim, falecido em 1878, foi um dos homens mais ricos do Brasil. Restaurada em 1970, continua sendo enriquecida com móveis e objetos de época. A fiel reconstituição de época faz com que a fazenda seja constantemente utilizada como cenário de filmes e de novelas da TV Globo, dentre elas, a recente versão de “Cabocla”, onde a Resgate pertence ao personagem Justino, interpretado por Mauro Mendonça.
Em razão de sua proximidade com a Serra da Bocaina, Bananal atrai também um público voltado para o turismo ecológico e caminhadas por suas trilhas, cheias de cascatas e paisagens de grande beleza natural. É possível percorrer trechos pavimentados com pedra da antiga Trilha do Ouro na Mata Atlântica.

 

Fechada desde 2011, a Pharmacia Popular, localizada na cidade de Bananal foi a farmácia mais antiga do Brasil. Inaugurada ainda na primeira metade do século 19 pelo francês Tourim Domingos Monsier.

Influenciado pela riqueza que o café brasileiro proporcionava, Monsier chegou à cidade de Bananal disposto a tornar-se um barão do café. Ele adquiriu uma fazenda tão logo chegou à cidade, mas por alguma razão desconhecida desistiu de ser fazendeiro e retornou as suas origens como boticário, abrindo esta farmácia em 1830, com o nome de Pharmacia Imperial.

O boticário francês permaneceria à frente do negócio por 30 anos, quando vendeu a farmácia para o coronel Valeriano José da Costa. Em 1889, com a proclamação da república, houve uma pressão na cidade para que o estabelecimento mudasse de nome, já que fazia referência ao finado império. E foi assim que naquele ano a Pharmacia Imperial dava lugar a Pharmacia Popular, nome que perdurou até o fim das atividades.

Com a morte de seu proprietário, em 1918, a farmácia mais uma vez mudaria de dono, adquirida pelo coronel Graça. Ele por sua vez passaria a propriedade a seu filho, Ernani Graça, que em breve seria eleito prefeito de Bananal por dois mandatos. Quando faleceu, a farmácia passaria para seu filho, Plínio Graça, que também seria por duas vezes prefeito da cidade. Graça seria o último dono da farmácia em funcionamento, vindo a falecer em 2011.